dezembro 09, 2010

Hoje acordei menina, necessitada de carinho, de abraço. E como é difícil pra mim assumir isso! Fui dormir tarde, acordei tarde, e não tive coragem de me levantar. Peguei um livro e fui lê-lo, ainda deitada, ainda coberta, ainda desarrumada, ainda. Livro adulto, quente - mas não feio. É a história de uma menina que se suja inteira, procurando alguém pra limpá-la, procurando algo que a limpe, procurando amor. 
Não, não me identifiquei com a história, mas gostei de lê-lo, e me senti pequena quando terminei. Estranho como a gente perde tempo na nossa vida com essa história de procurar. Estranho como a gente insiste em dizer que nunca encontrou. E se eu já tiver encontrado? E se for isso? Ótimo! Não me entenda mal, sou uma pessoa muito feliz, com tudo, de um modo geral. Mas a gente nunca tá mesmo satisfeito, né? E eu, especificamente, sou estranha. Bipolar mesmo. Vez por outra eu escolho o cinza ao invés do colorido. Sei lá.. vejo um pouco de beleza na tristeza, nesse negócio de ter algo que doa, que faça chorar. Acho bonito choro, acho interessante essa coisa toda da água que sai pelos olhos e alivia o peso do coração. É como se tudo ficasse tão grande que precisasse transbordar por algum lugar, e transborda no olhar. Quer lugar mais bonito?
É, isso é uma verdade: sou estranha. E - isto é um segredo - tenho medo de mim. Tenho dezoito, mas em alguns momentos pareço ter dez. E em outros, pareço ter trinta. Isso me dá medo, sabe? "Porra Valéria, você é a garota mais madura que eu já conheci!". Sou merda nenhuma! Me faço. 
Às vezes eu fico pensando como seria se eu descarregasse tudo, TUDO, pra alguém. Será que essa pessoa ia fugir? Muito provável! Meus pensamentos magoam a mim mesma, imagine aos outros. Mas é tanta vontade que eu tenho, tanta vontade de falar, falar, falar, e revelar tudo que essa alma esconde tão bem escondido que às vezes até eu mesmo duvido que exista.. Mas existe. E sabe? Tem um bocado de desordem aqui. Talvez por isso eu queira tanto organizar os outros, ajudá-los. E - com certeza - é por isso que eu me esforço tanto pra revelar só o que vai fazer de mim mulher interessante, madura, inteligente, capaz, mulher phoda.
Mas no fundo eu sou menina, cheia de neura, cheia de loucura, cheia de desejo de descoberta. E hoje, especialmente hoje, eu queria ter coragem de ser o que eu sou. Mas.. não, eu não tenho coragem. Então, eu fico por aqui mesmo. E já não espero que alguém me enxergue mesmo.
Só.

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